Polícia investiga denúncia de golpe a alunos com prejuízo que chega a R$ 200 mil

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Estudantes universitários de Pedagogia e Educação Física de uma faculdade particular que tinha sede em Água Branca, no interior do Piauí, denunciam ter caído em um suposto golpe que o prejuízo somado ultrapassa R$ 200 mil investidos no pagamento de mensalidades dos cursos de graduação.

De acordo com a denúncia, parte dos alunos só teria descoberto, ao fim do curso, que não teria vínculo acadêmico ou financeiro com a instituição de ensino e, assim, era como não tivessem cursado a graduação. A solução apresentada às vítimas seria começar um novo curso do zero.

A faculdade alvo da denúncia se trata do  Instituto Superior de Educação Programus (Isepro) que foi vendido. Cerca de 30 vítimas registraram boletim de ocorrência pelo crime de estelionato e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Piauí.

Os alunos vítimas do suposto golpe são da cidade de Beneditinos, também no interior do Piauí, e assistiam aulas aos domingos na própria cidade, uma vez que o pólo do Isepro era na cidade de Água Branca. Alguns teriam descoberto o suposto golpe após concluir o curso e solicitar o diploma.

De acordo com a denúncia, as aulas eram intermediadas pela vereadora e presidente da Câmara Municipal de Beneditinos, Erislene Monteiro, que se apresentava como coordenadora da faculdade em Beneditinos.

Vítimas relatam prejuízos

Uma das alunas de Pedagogia- que prefere não se identificar- conta que começou a graduação em 2017.

“Mês passado fomos chamados por essa pessoa, que se dizia coordenadora, para uma reunião na Câmara. Lá, ela explicou que o Isepro tinha falido e que a Faculdade Sucesso (FAS) ficaria responsável. Por isso, a gente tinha que passar por um procedimento que chamaram de acolhida que era para incorporar a gente. Mas, o edital dessa nova faculdade saiu e não tinha nada disso. Foi aí que descobrimos que não fazíamos parte da instituição e devíamos cumprir toda a matriz curricular novamente. Foi um susto. O responsável pela nova faculdade disse que não tinha como passar histórico pra gente transferir de faculdade ou continuar lá porque não havia registro e tínhamos que começar o curso do zero. Ele também nos disse que já tinha verificado várias irregularidades da faculdade anterior”, relatou uma das vítimas.

Foto: arquivo pessoal

Carnê de uma das alunas que cursava Pedagogia

Ao Cidadeverde.com, a aluna disse que a turma está perplexa e, por isso, resolveram contratar um advogado e registrar boletim de ocorrência. A estudante relembra da dificuldade de muitos colegas de classe em pagar as mensalidades.

“Eu me senti muito abalada, algumas pessoas que tinham depressão pioraram, muitos choram e outros já desistiram. Tinha gente que fazia faxina para poder pagar o curso ou fez empréstimo e agora está endividado. Já registrei BO e espero que isso seja regularizado e não só pelos danos financeiros. Entramos em uma faculdade para sermos profissionais em alguma área e agora não somos nada”, desabafa uma das vítimas.

As vítimas relatam que o pagamento das mensalidades era feito através de carnês e também diretamente com a suposta coordenadora.

“A gente tinha material em nome do Isepro e alguns professores que davam aula pra gente eram de lá também. O Isepro existiu, nosso registro é que não constava. Agora descobrimos até que o CNPJ que saía nos boletos não era de lá”, disse a vítima.

Outra aluna, que é cadeirante, relata que terminou o curso em outubro de 2018 e, até o momento, não recebeu o diploma.

“Em outubro deste ano fazem dois anos que espero o certificado. Mesmo nessa espera, consegui me matricular em uma especialização. Só agora que descobrimos essa falha, a gente vê que outras já estavam acontecendo e não tínhamos percebido. Por exemplo, como é que eu me inscrevo em uma especialização se eu não levei meu histórico da graduação? mas como era a mesma faculdade que deu o golpe, não me cobraram isso”, disse a estudante.

Marcelo Bonfim Veras e Bruno Átila Martins Muniz, advogados das vítimas, acrescentam que irregularidades foram constatadas pela nova instituição que sucedeu a Isepro.

“A nova faculdade alega que desconhece qualquer grade curricular cumprida e não acolhe a coordenação que foi feita durante quatro anos de curso”, destacou o advogado Marcelo Bonfim.

Polícia investiga denúncia

O delegado Paulo Nogueira, titular da delegacia de Beneditinos, disse que a investigação está na fase preliminar e aguarda representação criminal do advogados das vítimas que procuraram a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência.

“Solicitei uma representação criminal já que é muita gente denunciando um fato só. Após receber essa peça, vou analisar se existiu contrato entre a pessoa que acusam e essa faculdade, se fica caracterizada má fé, crime de estelionato ou falha de outra ordem. Já temos alguns BOs e algumas informações, por exemplo, de que uma turma anterior teria recebido esse diploma. É preciso entender o que aconteceu com as turmas que estão denunciando. As partes serão ouvidas”, disse o delegado.

Alvo de denúncias se posiciona

A vereadora e presidente da Câmara- que teria se apresentado como coordenadora dos cursos na cidade de Beneditinos- disse ao Cidadeverde.com que as denúncias são inveridícas. Em poucas palavras, Erislene Monteiro disse que não tinha vínculo com a antiga faculdade e que fazia “uma ponte entre os filhos beneditinos e o ensino superior”.

“Acho que as informações são inverídicas. Até onde sei, a faculdade existiu, os alunos estão sendo diplomados ou fizeram transferência para outra instituição porque a antiga foi vendida. Quem terminou, o histórico de notas está liberado e podem continuar pela Sucesso ou outra faculdade”, disse a vereadora.

Erislene Monteiro disse que ainda não foi intimada prestar depoimento e que “a situação está resolvida”.

Uma das proprietárias da faculdade Isepro, que preferiu não se identificar, apresentou uma versão diferente. Por telefone, ela disse que Erislene Monteiro tinha um contrato com a faculdade Isepro e que era “parceira”.

“Já foi tudo resolvido. Eles vão receber tudo em 30 dias por outra faculdade parceira”, resumiu uma das proprietárias da antiga faculdade sem revelar qual instituição forneceria a certificação do curso superior. Ela também confirmou que a Isepro foi vendida este ano.

Por telefone, o Cidadeverde.com tentou contato a Faculdade Sucesso- que sucedeu a Isepro- mas não conseguiu conversar com a direção da instituição. O site tentou contato com a faculdade por email, conforme orientação da atendente da faculdade, e há três dias aguarda retorno.

 

Fonte: Graciane Sousa\ Cidade Verde

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