Estudante é vítima de importunação sexual dentro da UFPI e filma agressor

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Uma estudante da Universidade Federal do Piauí (UFPI) denunciou na polícia ter sido assediada sexualmente na terça-feira (13) pouco depois das 12h. A vítima, que não quis ser identificada, contou que ia do Hospital Universitário (HU) ao ponto de ônibus dentro do Campus Ininga quando foi abordada por homem dentro de um carro preto. O suspeito abaixou o vidro e a estudante o viu fazendo gestos obscenos.

“Eu pensei realmente que ele ia pedir informações como muitas pessoas aqui fazem porque a universidade é um ambiente muito grande e quando eu olho para dentro do carro, ele estava fazendo o ato sexual, de se masturbar”, contou.

A reação da vítima foi filmar o veículo mostrando a placa para uma possível identificação. Ela entrou em contato com os familiares, protocolou uma denúncia formal na reitoria e recorreu a três polícias diferentes.

“Eu entrei primeiro em contato com a Polícia Militar, informei a placa do veículo, mas que a Polícia Militar tem uma limitação aqui dentro da universidade. Minha reação depois foi ligar para a Polícia Federal e a Federal me informou que, como não teve dano ao patrimônio público, ao patrimônio da universidade, eles não poderiam agir nessa situação e que eu deveria ir para a Polícia Civil”, explicou.

A estudante conseguiu fazer o boletim de ocorrência na Delegacia Geral da Polícia Civil. Ela contratou um advogado para acompanhar o caso, e ele não concordou com a abordagem dada pela delegacia ao tipo de crime previsto.

Segundo o advogado Oscar Monteiro, como o crime foi uma atitude individualizada, em um momento em que havia apenas a vítima e o agressor, o caso poderia ser interpretado como importunação sexual.

“Foi registrado como ato obsceno no boletim de ocorrência. […] Nós tivemos uma alteração legislativa recente que criou o crime de importunação sexual, revogando a antiga importunação ofensiva ao pudor. Então acredito que o boletim de ocorrência deve ser registrado com esse crime mais grave exatamente para coibir atitudes como essa”, explicou.

A vítima quer levar o caso adiante para proteger outras mulheres. “Eu estou fazendo isso não só por mim, não só por esse abalo psicológico que teve para mim, mas para trazer segurança para mim e para os meus colegas que vivem aqui dentro”, contou.

A Delegacia Geral informou não ser possível dar mais detalhes sobre o tipo de ocorrência registrada na quinta-feira (15). A Universidade Federal do Piauí (UFPI) ainda não se pronunciou sobre o caso.

Fonte: G1

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